A Ferrari Luce alcançou um marco histórico ao se tornar o primeiro veículo 100% elétrico da montadora italiana, surpreendendo o mercado com uma proposta bem diferente do que os fãs da marca estavam acostumados a ver.

A Ferrari apresentou na segunda-feira (25/05) seu primeiro veículo 100% elétrico, o Luce, com preço inicial de US$ 640 mil, o equivalente a R$ 3,2 milhões.
A Ferrari deu seu primeiro passo rumo à eletrificação. A montadora italiana apresentou o Luce e, como muitos já antecipavam, ele rompe com a fórmula clássica dos esportivos de Maranello.
No lugar de um superesportivo biplace de linhas cortantes, o modelo chega ao mercado como um liftback de cinco ocupantes, quatro portas e uma estética bem distante do que os fãs da marca estão acostumados a ver.
Se a intenção era chamar atenção, o objetivo foi alcançado. A própria fabricante reconhece que o modelo não deve deixar ninguém indiferente. “As reações dos clientes serão bastante mistas. Algumas pessoas vão amar, outras vão odiar”, declarou Emanuele Carando, diretor global de marketing de produto da Ferrari, durante o lançamento internacional do veículo.
A surpresa começa pela silhueta. Muitos apostavam em algo próximo ao SUV esportivo Purosangue, lançado recentemente pela marca, mas o Luce trilha um caminho diferente.
O elétrico combina traços de sedã fastback com hatch de luxo e apresenta soluções aerodinâmicas inusitadas, entre elas uma ampla abertura frontal para controle do fluxo de ar, limpadores dispostos verticalmente e rodas com design inspirado em turbinas.
Apesar da virada estética, a Ferrari garante que o Luce preserva a alma da marca. O modelo é apenas o segundo da história da montadora com quatro portas e o primeiro a acomodar cinco passageiros.

A ficha técnica revela que, mesmo mudando de conceito, a Ferrari não dispensou a performance extrema.
O Luce conta com quatro motores elétricos independentes, um por roda, gerando 1.035 cv de potência combinada e 99,9 kgfm de torque. O conjunto resulta em aceleração de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos, além de direção nas quatro rodas e suspensão ativa herdada do hipercarro F80.
O carro conta com uma bateria de 122 kWh de capacidade bruta, cerca de 112 kWh utilizáveis, com células fornecidas pela sul-coreana SK On. A Ferrari afirma que a autonomia alcança 530 km no ciclo europeu WLTP, com potência máxima de recarga de 350 kW.
Apesar dos números expressivos, o Luce não se posiciona necessariamente no topo entre os elétricos de luxo em autonomia ou velocidade de recarga e a própria Ferrari admite isso. Segundo executivos da marca, o objetivo não foi desenvolver o EV mais eficiente ou o de recarga mais rápida, mas sim oferecer uma experiência de condução singular, explorando as características únicas dos motores elétricos.
Fonte: BBC.COM